Você já deve ter ouvido alguém dizer que os cristais tem propriedade místicas que são terapêuticas e curativas, podendo até mesmo ter ganhado algum de presente para livrar-se de algum problema que o afligia. Não temos dúvida da beleza dessas peças, mas será que eles realmente têm poderes curativos? O que a ciência afirma dentro do âmbito da medicina curativa?
Figura 1. Foto de Allie em Unsplash

Retirada do site: www.daninoce.com.br
Primeiramente, temos que entender o que são os cristais. A partir de muitos estudos sabemos atualmente que a matéria que constitui os corpos não é contínua e é formada por pedaços muito pequenos, denominados ‘átomos’. Essas pequenas porções de matéria interagem entre si por meio de ligações atômicas, que são ligações energéticas, formando moléculas e corpos sólidos. Tais ligações presentes em um cristal determinam qual será o seu formato, somado aos seguintes fatores: condições e disponibilidade de elementos, temperatura, pressão, velocidade de crescimento e resfriamento. Com isso, podemos desmistificar o fato de que os cristais estão vivos em um sentido biológico, a partir do qual haveria vida nesses materiais, permitindo a geração de energia por eles, afinal, toda sua energia provém da interação entre os átomos que o formam.
Figura 2. Estrutura cristalina do sal comum, constituída por átomos de cloro e sódio ordenados de forma alternada.

Retirado do site: www.revistaquestaodeciencia.com.br
Ademais, cabe acrescentar que há o uso científico de cristais como os de quartzo para a confecção de pequenas baterias. Esse minério é um material transdutor, capaz de transformar uma forma de energia em outra, como energia elétrica em mecânica e vice versa. Essa importante propriedade pode ser utilizada na construção de osciladores. Porém, ainda assim os cristais não são capazes de gerar a energia, necessitando de outra fonte de energia que os alimente. Desse modo, mais uma vez confirmamos que os cristais não são fontes geradoras de energia, possuindo apenas armazenada em si a energia das ligações entre seus átomos.
Nesse contexto, depois de entender o que são de fato os cristais, podemos dizer que a ciência afirma não existir comprovações que expliquem funções terapêuticas ou poderes curativos dos cristais. Entretanto, é inegável a quantidade de pessoas que os utilizam com esses fins e se dizem curadas e transformadas, como os pesquisadores explicam esse cenário? Isso pode ser explicado pelo efeito denominado “placebo”, o qual pode ser gerado por quaisquer itens, sendo necessário apenas que o paciente acredite em sua eficácia. O mais interessante é que ainda que os placebos não tenham nenhum elemento químico ativo eles funcionam para muitas pessoas e são utilizados para tratar diversos tipos de doenças, tais como ansiedade, pânico e depressão.
A ação do placebo é possível devido à expectativa de melhora apresentada pelo indivíduo, o que ativa determinadas áreas do sistema nervoso central que seriam estimuladas por medicamentos que de fato contêm elementos químicos em sua composição, estimulando a liberação de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, que geram as sensações de bem-estar e prazer.
Entretanto, ainda que a ciência afirme que o uso dos cristais esteja relacionado ao efeito placebo e o uso desses não substitua a medicina tradicional, esses minerais raros, formados na natureza ao longo de milhares de anos, são extremamente úteis como materiais decorativos, além de serem amplamente utilizados na composição de joias e em rotinas de skincare, contendo em sua estrutura a energia armazenada a partir da combinação de seus átomos. Lembrando também que ainda há aqueles que acreditam nos efeitos terapêuticos da energia armazenada nos cristais, utilizando-os de maneira religiosa e esotérica, o que ainda que não seja uma visão científica, é um uso válido de acordo com as crenças de cada indivíduo.